Concurso Habitação para Todos: Casas térreas

0
594

Projeto vencedor na categoria enfocou a felicidade, o bem-estar na qualidade de vida dos moradores

Por: Michel Mello
Blocos modulares rompem a monotonia dos antigos conjuntos habitacionais e trazem mais alegria e bem-estar às HIS

Concurso Nacional de Projeto de Arquitetura de Novas Tipologias para Habitação de Interesse Social Sustentáveis (HIS Sustentáveis), premiou em primeiro lugar na categoria de Unidade Unifamiliar Térrea, ou simplesmente casas térreas, o projeto número 03 da equipe do escritório 24.7 Arquitetura, de Campinas (SP). O grupo é formado pelos arquitetos Giuliano PelaioGustavo Tenca e Inacio Cardona, que conversaram com o Massa Cinzenta.

Para o arquiteto Gustavo dos Santos Corrêa Tenca, um dos idealizadores do projeto, “o maior desafio foi a busca por uma solução lógica e racional capaz de demonstrar que a qualidade de uma habitação não deve corresponder apenas ao padrão econômico de uma determinada classe social, mas sim, aos conhecimentos técnicos do seu momento histórico, rompendo um paradigma antigo e dominante de que as casas populares devem ser marcadas pela simplicidade de suas construções”.

Esse concurso é fruto de uma parceria entre o Instituto dos Arquitetos do Brasilseção São Paulo (IAB-SP), e da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU) e teve por objetivo fomentar a produção de projetos arquitetônicos em diferentes categorias habitacionais na esfera pública estadual.

Projeto

Detalhes da vista da fachada dupla da Unidade Unifamiliar Térrea a serem implantados em novos conjuntos habitacionais

Um dos diferenciais do conceito vencedor foi a concepção de um projeto bioclimático que, além de considerar a felicidade e o bem-estar dos futuros moradores, enfocou a qualidade de vida. Isto significa que, além de um bom sistema natural de ventilação dos edifícios, é necessária uma alta inércia térmica, ou seja, um pequeno efeito de estufa que ocorre no interior da residência através da radiação solar direta em áreas envidraçadas e de uma correta orientação para o norte.

O projeto se aproveita ao máximo dos recursos naturais, tais como o sol (para esquentar a casa), o vento (para refrescar e regularizar a alta umidade) e a água da chuva (para regar o jardim e descarga do banheiro).

Na parte externa foi utilizada uma pintura a base de cal virgem que permite a troca de calor através da própria alvenaria. Outro ponto importante é que foram utilizadas telhas termoacústicas do tipo sanduíche, aumentando o desempenho e o conforto para essas habitações.

O projeto consiste na idealização de uma casa compacta que possa dar mais liberdade aos seus moradores, inclusive, com espaços livres dentro de suas dependências sem deixar de lado a qualidade visual e volumétrica. A preocupação com a fachada, a identidade, a heterogeneidade e a descompactação do tradicional modelo da casa retangular foram pontos chaves na elaboração dessa proposta.

A modularidade imposta pelo sistema construtivo é visto como um fator muito positivo, já que se eliminam os resíduos sólidos da construção, otimizando o tempo de construção. De fato, o simples e tradicional método construtivo permite que os próprios usuários possam construir mais da metade da residência sem a mão de obra especializada.

Casa

A residência consiste em um conceito reduzido, que foi resolvido a partir de dois blocos estruturais lineares interligados por um terceiro bloco com funções distintas. Um módulo para os dormitórios e o banheiro, outro para a área de serviços (cozinha e lavanderia) e um terceiro – de ligação – que abriga a sala de refeições e a sala de estar.

Existem dois tamanhos de habitação. O primeiro, com dois quartos, foi pensado para abrigar quatro habitantes e tem 53,10 m² de área. E o outro, com três quartos, foi planejado para seis habitantes e possui área de 61, 65 m².