Déficit habitacional cresceu 5,9% no Brasil entre 2009 e 2015, diz pesquisa da FGV

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91% da carência está em famílias que ganham até três salários mínimos. Para SindusCon-SP, número seria ainda maior sem o MCMV

Da redação da PINIweb

30/Maio/2017

Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) e do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) mostra que o déficit habitacional cresceu 5,9% no Brasil entre 2009 e 2015, mesmo com a criação do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Somente em 2015 na comparação com o ano anterior, a alta foi de 2,7%. Ao todo, o déficit chega a 7,7 milhões de habitações. Os dados foram apresentados na última semana durante o 89º Encontro Nacional da Indústria da Construção (Enic), em Brasília.

Para o cálculo, foram considerados os conceitos da Fundação João Pinheiro, que dizem que o déficit habitacional é composto por quatro componentes principais: domicílios precários, coabitação familiar, ônus excessivo com aluguel urbano e adensamento excessivo de domicílios alugados. O levantamento considera informações das Pesquisas Nacionais de Amostra Domiciliar (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dois componentes do déficit registraram deterioração em 2015 sobre o ano anterior: habitação precária e ônus excessivo com aluguel, que cresceram 9,2% e 6,4%, respectivamente. O déficit relativo – déficit total sobre o número de domicílios – atingiu 11,4%. Em 2014, a taxa de formação de famílias foi de 2,7%, caindo para 1,48% em 2015. Por sua vez, o crescimento do estoque de domicílios também desacelerou, passando de 2,9%, em 2014, para 1,56% em 2015.

De acordo com o estudo, o estado de São Paulo lidera o ranking, com uma carência de 1,6 milhão de domicílios, representando 21% de todo o País. Em seguida vêm os estados de Minas Gerais (9,9%), Bahia (7,4%) e Rio de Janeiro (6,9%). O ônus excessivo com aluguel representa o maior componente do déficit nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, enquanto a coabitação é o maior problema nas regiões Nordeste e Norte.

No Brasil, há 942,6 mil moradias precárias; 3,2 milhões com famílias vivendo em coabitação; 3,3 milhões de moradias com famílias que comprometem uma alta porcentagem de suas rendas com aluguel; e 317,6 mil domicílios alugados para um número excessivo de pessoas.

De 2009 a 2016, o MCMV contratou a construção de 4,5 milhões de unidades. Deste total 3,2 milhões já foram entregues à população de baixa renda. Os investimentos chegam a R$ 332 bilhões, além da geração de 2,8 milhões de empregos diretos e mais 2,9 milhões de empregos indiretos, diz a pesquisa.

Segundo o vice-presidente de Habitação do SindusCon-SP, Ronaldo Cury, sem o MCMV o déficit teria aumentado muito mais. “Para eliminá-lo, calcula-se um investimento necessário de mais de R$ 450 bilhões, sem considerar o surgimento de novas famílias. Além disso, é importante garantir subsídio para as faixas mais baixas”, acredita. No Brasil, 41 milhões de famílias ganham até três salários mínimos e 91% do déficit está nesse grupo salarial.